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VITÓRIAS NEM SEMPRE SÃO O MAIS IMPORTANTE

   

      Cada vez mais, a competição é algo inerente ao esporte de alto rendimento. E isso não se limita aos profissionais, que têm o cotidiano regrado a partir da atividade física. Para os garotos (sobretudo os que vêem o esporte como chance de mudar de vida), trabalho árduo e vitórias são coisas fundamentais para o crescimento.

      Contudo, essas não devem ser as únicas diretrizes de um treinador. O trabalho ideal deve se preocupar com a inserção dos garotos no mundo em que vivem e com a transmissão de aprendizados que não se limitem às doutrinas do esporte.

      “O fenômeno social do esporte, para ser transformado em uma atividade de interesse real a todos os participantes, deve ser compreendido em uma visão polissêmica, com a visualização de componentes sociais que influenciam as ações sociais e culturais no âmbito esportivo e questionar o verdadeiro sentido do esporte a partir de uma visão crítica”, explicou Kunz.

      A transmissão de uma visão crítica depende do caráter pedagógico incutido no trabalho do treinador, sobretudo nas categorias de base. Para que essa prática seja eficiente, é importante que o esporte seja visto como um modelo de evolução e não apenas como meio de fortalecer o nome do clube com vitórias e títulos.

      “Teremos sempre como objetivo principal o ensino do futebol voltado à questão do esclarecimento aos que neles se inserem, procurando desta forma contribuir para a ampliação da percepção e entendimento deste campo social”, completou Kunz.

      Existem três pontos fundamentais para fomentar a compreensão de mundo para os jovens atletas. É fundamental que os técnicos dêem atenção à interpretação que os garotos fazem do mundo em que vivem, a percepção da representatividade social do jogador e a compreensão acerca do futebol como fenômeno social.

      Isso não significa a negação do futebol como um esporte de competição, mas a compreensão de que essa prática faz parte da cultura social do país e que, como qualquer outra manifestação cultural, precisa ser compreendido em um universo cheio de particularidades.

      Alguns garotos vivem o futebol como uma ilusão de mudança em seu cotidiano e como a oportunidade única de mudarem a dura rotina de suas vidas. Portanto, cabe ao treinador não se colocar como uma figura arbitrária e não abusar do excesso de vontade dos garotos. Em vez disso, ele deve usar essa disposição para ensiná-los e transmitir conhecimentos que não se limitem ao campo.

Bibliografia
KUNZ, Elenor. Didática da Educação Física - Futebol. Editora Unijuí, 2003.



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